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terça-feira, 12 de maio de 2026

SOCIOLOGIA: O Paradigma da Modernidade/Colonialidade: Poder, Saber e Ser (P251_P252)

 YouTube - Canal Portal GDE

Descrição: O vídeo explora a distinção fundamental entre colonialismo e colonialidade, revelando que, embora a ocupação territorial tenha terminado, as estruturas de poder permanecem enraizadas na sociedade contemporânea. De acordo com o grupo Modernidade/Colonialidade, a colonialidade é um padrão global que sustenta a hierarquia racial, o capitalismo e o eurocentrismo. O conteúdo detalha como esse fenômeno se manifesta através do poder, do saber e do ser, moldando desde as relações econômicas até a validação do conhecimento acadêmico. Por meio de análises teóricas e exemplos artísticos, os autores argumentam que a modernidade é indissociável da herança colonial. Assim, a obra propõe uma visão crítica sobre como o passado colonial continua a influenciar as identidades subjetivas e as desigualdades entre as nações no mundo atual.

Referência: SILVA, Afrânio et al. Sociologia em movimento. São Paulo: Moderna, 2024. ed. 1. p. 251-252.


  • Vídeo gerado através da IA NotebookLM

TEXTO

O Paradigma da Modernidade/Colonialidade: Poder, Saber e Ser


Este documento sintetiza as perspectivas teóricas do grupo Modernidade/Colonialidade, com foco nas distinções fundamentais entre colonialismo e colonialidade e nas ramificações deste último na estrutura social contemporânea. A análise central revela que, embora o colonialismo formal (ocupação territorial e soberania política) tenha declinado com as independências das colônias, a colonialidade permanece como um padrão de poder onipresente. Este padrão é caracterizado pela racialização das relações sociais, pela hegemonia do conhecimento eurocêntrico e pela negação do estatuto humano de povos subalternizados. O conceito de "modernidade/colonialidade" postula que a colonialidade não é um efeito colateral, mas um elemento constitutivo da própria modernidade ocidental.

1. Distinção entre Colonialismo e Colonialidade

A compreensão da teoria decolonial exige a separação clara entre o evento histórico do colonialismo e o fenômeno persistente da colonialidade.

Conceito

Definição Segundo o Contexto

Características Principais

Colonialismo

Sistema de exploração econômica e dominação política/ideológica.

Envolve a ocupação territorial e a perda de soberania de um povo para outra nação.

Colonialidade

Padrão de poder moderno que sobrevive ao colonialismo formal.

Atua no imaginário, nas estruturas subjetivas, no mercado capitalista e na noção de raça.

Segundo Aníbal Quijano, a colonialidade produziu um padrão mundial de poder moderno e capitalista que permeia as formas de produção e difusão do conhecimento. Já Nelson Maldonado-Torres enfatiza que a colonialidade se manifesta na inter-relação entre trabalho, autoridade e intersubjetividade, mantendo-se viva em textos didáticos, critérios acadêmicos e no "senso comum" da modernidade cotidiana.

2. As Três Dimensões da Colonialidade

A análise dos teóricos decoloniais identifica três dimensões fundamentais que sustentam a continuidade das estruturas coloniais no sistema capitalista atual:

A. Colonialidade do Poder

Proposta por Aníbal Quijano, esta dimensão refere-se à manutenção de uma hierarquia entre nações e povos baseada na ideia de raça.

  • Racialização: A noção de raça é o pilar que sustenta a classificação das populações.
  • Hierarquia Global: Nações que dominam a economia e a política mundial autodenominam-se "superiores" ou "desenvolvidas", classificando as demais como "inferiores", "subdesenvolvidas" ou "atrasadas".
  • Capitalismo Racial: O sistema econômico opera sob esta lógica de dominação e exploração.

B. Colonialidade do Saber

Trata-se da hegemonia do conhecimento eurocêntrico sobre outras formas de pensar e produzir saber.

  • Eurocentrismo: A ciência moderna ocidental é imposta como o único modelo universal, objetivo e válido de produção de conhecimento.
  • Marginalização: Outros saberes e culturas são silenciados, invisibilizados ou deslegitimados.
  • Mecanismos de Difusão: Esta dimensão manifesta-se em currículos escolares, livros didáticos, manuais e critérios de validação acadêmica.

C. Colonialidade do Ser

Refere-se aos impactos psicológicos e ideológicos sobre a identidade dos sujeitos subalternizados.

  • Violência Simbólica: A colonialidade molda a forma como os indivíduos se percebem e existem no mundo.
  • Negação do Estatuto Humano: Por meio do racismo e de outras formas de violência, nega-se a plena humanidade de certos povos, afetando sua subjetividade e autoestima.

3. Modernidade e Colonialidade: Uma Relação Constitutiva

Para o grupo de pesquisadores analisados, a colonialidade não deve ser vista como uma consequência indesejada da modernidade, mas como sua característica constitutiva.

  • Indissociabilidade: Não existe modernidade sem colonialidade. Ambas são faces da mesma moeda.
  • Terminologia: Devido a essa conexão intrínseca, os teóricos utilizam o termo composto modernidade/colonialidade para descrever o atual paradigma global.
  • Persistência: Mesmo após a independência política das colônias (como no caso africano), as estruturas subjetivas e os valores de vida dos colonizadores continuam a ser impostos às populações ex-colonizadas.

4. Manifestações Culturais e Resistência Decolonial

O documento identifica formas contemporâneas de contestação e análise crítica da colonialidade:

  • Expressão Artística: O artista El Anatsui (Gana/Nigéria) utiliza materiais descartados por indústrias e empresas internacionais para criar esculturas que problematizam as consequências do colonialismo e a continuidade das relações de poder desiguais na África.
  • Revisão Historiográfica: Obras como "História preta das coisas", de Bárbara Carine, questionam o mito da primazia intelectual grega e visibilizam invenções científico-tecnológicas de pessoas negras, reforçando a ancestralidade africana no pensamento científico.
  • Ações Diretas: Protestos contemporâneos, como a derrubada ou intervenção em estátuas de figuras coloniais (ex: Cristóvão Colombo na Colômbia em 2021), são interpretados como atos legítimos dentro de sociedades democráticas para contestar monumentos que ignoram a violência colonial e moldam a memória coletiva de forma parcial.

Citação Chave:

"Respiramos a colonialidade na modernidade cotidiana." — Nelson Maldonado-Torres

 

Referência: SILVA, Afrânio et al. Sociologia em movimento. São Paulo: Moderna, 2024. ed. 1. p. 251-252.

Vídeo e Texto gerado através da IA NotebookLM

Por Fábio Fernandes

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