quarta-feira, 4 de novembro de 2026

CONSCIÊNCIA NEGRA: Fundação Cultural Palmares realiza o maior Novembro Negro de sua história, com programação em cinco estados

(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil).

A Fundação Cultural Palmares (FCP), autarquia vinculada ao Ministério da Cultura, realiza em 2026 o maior Novembro Negro de sua história. Com atividades distribuídas por cinco estados brasileiros, a programação se estende por todo o mês de novembro e alcança o início de dezembro, reunindo iniciativas de valorização da cultura afro-brasileira, reconhecimento das comunidades quilombolas, promoção da igualdade racial e fortalecimento das manifestações culturais de matriz africana.

A agenda contempla diferentes territórios e expressões da cultura negra, com atividades em Alagoas, São Paulo, Rio de Janeiro e outras localidades. A proposta é ampliar a presença institucional da Fundação, aproximar as políticas públicas das comunidades e reafirmar o papel da cultura na construção de um país mais justo e igualitário.

Para o presidente da Fundação Cultural Palmares, João Jorge Rodrigues, o Novembro Negro é uma oportunidade de reconhecer a história, mas também de projetar novos caminhos para a população negra brasileira.

“Não haverá Brasil civilizado sem a população negra. Precisamos compreender que a luta contra o racismo também passa pelo desenvolvimento, pelo acesso à educação, à universidade, à tecnologia e às oportunidades”, destaca.

Da memória à construção do futuro

Entre os principais momentos da programação está o retorno à Serra da Barriga, em União dos Palmares, Alagoas, território histórico do Quilombo dos Palmares e referência fundamental para a memória da resistência negra no Brasil. O local receberá atividades em 20 de novembro, Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, reunindo manifestações culturais, ações institucionais e iniciativas voltadas à valorização da memória quilombola.

Para João Jorge, a Serra da Barriga representa muito mais do que um marco histórico.

“É um lugar da liberdade, da igualdade e de uma experiência extraordinária de organização econômica, social e política nas Américas. A Serra da Barriga é um ambiente ecológico e também um museu a céu aberto. É o lugar de Aqualtune, Acotirene, Zumbi, Ganga Zumba e de tantas outras pessoas que construíram essa história”, afirma.

O presidente também chama atenção para a contemporaneidade das comunidades quilombolas e para a necessidade de superar visões que as associam exclusivamente ao passado.

“Os quilombos são modernos. Produzem, desenvolvem atividades econômicas e movimentam a cultura. Precisam de internet, computadores, estradas e acesso às universidades. Não podemos pensar essas comunidades como se estivessem isoladas do Brasil contemporâneo”, ressalta.

A programação em Alagoas também inclui o 1º Encontro Nacional de Educação Antirracista em Prisões, realizado entre os dias 18 e 21 de novembro, em parceria com o Ministério da Igualdade Racial e o Ministério da Justiça. No dia 21, em Maceió, estão previstas atividades dedicadas à Literatura Negra, com a participação de escritores, além de uma Mostra de Cinema Negro.

Cultura, tecnologia e valorização dos territórios

A programação começou a ganhar as ruas já nos primeiros dias de novembro. Em 1º de novembro, em Salvador, a agenda incluiu uma celebração pelos 52 anos do Bloco Afro Ilê Aiyê, na Praça da Tieta.

No dia 4 de novembro, a Fundação Cultural Palmares realiza, em sua sede, em Brasília, a culminância da edição 2026 do projeto Sabores e Saberes – O Tabuleiro da Baiana, que também marca a abertura oficial do Novembro Negro da instituição. A iniciativa valoriza a culinária afro-brasileira como patrimônio cultural e fortalece os saberes dos territórios tradicionais de matriz africana. Após vivências formativas realizadas em Planaltina (DF) e Novo Gama (GO), que reuniram mais de 100 participantes, o encontro terá mesas de debate, palestra da chef de cozinha e Makota Solange Borges, entrega de certificados, apresentação de samba de roda e partilha de comida tradicional.

No dia 9 de novembro, a Fundação promove o lançamento do podcast Zumbido, projeto de comunicação que amplia os espaços de escuta, circulação de ideias e divulgação da cultura afro-brasileira.

São Paulo também integra a mobilização, com atividades previstas para os dias 11 e 12 de novembro. O Rio de Janeiro igualmente faz parte da programação, com ações que serão divulgadas oportunamente.

Outro destaque é a realização de iniciativas que aproximam as comunidades quilombolas das novas tecnologias e das oportunidades de desenvolvimento, como o Afro Digital, desenvolvido em parceria com o Ministério das Comunicações, com entrega de computadores para comunidades quilombolas.

Uma mobilização que ultrapassa o calendário

Para a Fundação Cultural Palmares, ampliar o Novembro Negro significa reconhecer que a valorização da cultura afro-brasileira não deve se restringir a uma data comemorativa. É também uma oportunidade de fortalecer políticas públicas, estimular a produção cultural e ampliar o reconhecimento das contribuições da população negra para a formação do país.

João Jorge destaca que a cultura afro-brasileira também representa uma importante força econômica, presente nos quilombos, nos terreiros, nos blocos afro, nas escolas de samba, na gastronomia, na música e em diferentes formas de produção e conhecimento.

“Não queremos apenas políticas de reconhecimento. Queremos uma parceria do Estado para produzir mais, gerar oportunidades e fortalecer essa riqueza cultural que o Brasil possui”, afirma.

Com atividades em diferentes regiões e a participação de comunidades, artistas, instituições e representantes do movimento negro, o Novembro Negro 2026 reafirma a missão histórica da Fundação Cultural Palmares: preservar e valorizar a memória afro-brasileira, promover o reconhecimento de seus protagonistas e contribuir para que essa história continue produzindo transformações no presente e no futuro.

Mais do que celebrar o passado, a mobilização convida o país a reconhecer a força de sua herança africana e a construir, coletivamente, novas possibilidades de desenvolvimento, igualdade e liberdade.


Por Henrique Bertoldo

Fonte: Agência Gov | via Fundação Palmares

sábado, 3 de outubro de 2026

Intolerância Religiosa: Ataques a símbolos religiosos reacendem debate sobre intolerância


Versão em áudio:

“Se reabrir, todos morrem”. Era assim que começava o cartaz colado em uma loja de artigos religiosos católicos no centro de Fortaleza na noite em que o lugar foi alvo de um atentado com coquetel molotov. O ataque aconteceu na madrugada de 9 de setembro. Naquela mesma noite, outros dois estabelecimentos católicos e um da umbanda também tiveram as fachadas incendiadas na capital cearense. 

Os atentados estão sendo investigados pela Polícia Civil, mas no dia seguinte, o Padre Josileudo Queiroz, da Igreja de São José Operário de Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza, usou as redes sociais para classificar o que aconteceu.

“Nós vivemos num país onde devemos entender que o país é laico, ou seja, não tem uma religião oficial. Não é ateu, porque há muitas religiões, há muitas expressões de fé. Isso que aconteceu aqui em Fortaleza e que acontece no Brasil afora se chama crime de intolerância religiosa”.

Os ataques em Fortaleza estão longe de serem os únicos contra símbolos católicos. Um dia antes do ataque no Ceará, em Londrina (PR), a cabeça de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, que ficava em frente a uma loja de artigos religiosos, foi arrancada. Dois dias depois, em Salvador, o alvo foi a imagem de Nossa Senhora das Graças que foi quebrada. No dia 22, também em Salvador, a imagem da primeira santa brasileira, a Santa Dulce dos Pobres, foi destruída.

Na última quarta-feira (30), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) investigue uma aparente disseminação de ataques a imagens religiosas católicas pelo país. 

Todos os casos de intolerância ocorreram antes da discussão sobre o título de padroeira do Brasil a Nossa Senhora Aparecida entrar na disputa eleitoral. 

Denúncias de intolerância religiosa

Segundo os dados do Disque 100, só no primeiro semestre de 2026, entre janeiro e junho, foram registradas 1.252 denúncias com pelo menos uma violação relacionada à liberdade de crença ou intolerância religiosa. 

Os católicos não são os principais alvos.

Os praticantes do candomblé e da umbanda são historicamente as principais vítimas da intolerância religiosa, segundo o censo do IBGE, apesar de representarem cerca de 1% da população brasileira.  Entre janeiro e junho deste ano, foram registradas 270 denúncias, um aumento de mais de 40% comparado com o mesmo período de 2025, quando foram 192 notificações.

Entre os católicos, as denúncias também cresceram no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado. Os registros passaram de 15 para 34, crescimento superior a 100%. 

Durante a Semana Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, que ocorreu em janeiro no Rio de Janeiro, o secretário-geral da ACT Alliance (Action by Churches Together), Rudelmar Faria, disse que a exclusão pela religião tem sido uma estratégia política não só no Brasil.

“Nós estamos num momento global em que a religião é instrumentalizada para excluir, porque as religiões hoje, esse movimento da confluência de fundamentalismos, buscam justamente excluir grupos. E são grupos que não são cristãos, brancos, ricos e mais do que a sua própria igreja financeiramente, apoiar um grupo de políticos que tem o poder para tomar decisões e criar leis que são excludentes", afirmou, citando que os mais afetados são mulheres, população LGBTI+, povos indígenas e jovens negros de baixa renda.

"É o que existe não só aqui no Brasil, na América Latina, na América Central”, acrescentou. A ACT Alliance é uma coligação mundial de igrejas e organizações baseadas na fé que atua em 140 países.

Na última semana, a campanha eleitoral no Brasil foi tomada por postagens envolvendo Nossa Senhora Aparecida. A polêmica teve início quando viralizaram nas redes sociais postagens que atribuíam ao candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) a intenção de retirar de Nossa Senhora o título de padroeira do Brasil. O candidato recorreu à Justiça Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que as mensagens fossem retiradas do ar, o que levou a uma série de decisões judiciais dos ministros que determinavam, em um momento, a retirada dos posts e, em outro, a liberação das mensagens. As justificativas eram disseminação de notícia falsa sobre o candidato e a preservação do direito à liberdade de expressão, respectivamente. 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria de votos para manter as postagens fora do ar. 

Punição

O defensor público do Ceará, Igor Barreto, explica qual a punição prevista para quem comete crime de intolerância religiosa. 

“O mais importante seja ressaltar o fato de que esses crimes são todos insuscitíveis de fiança, de indulto, são crimes imprescritíveis, eles podem ser processados a qualquer momento”.

No Brasil, a pena para o crime de intolerância religiosa (prática, indução, incitação) varia de um a 5 anos de reclusão e multa. 


Por: Eliane Gonçalves - Repórter da Radioagência Nacional*

* Com a colaboração de Márcia Vieira, da Rádio Universitária FM de Fortaleza

Edição: Carolina Pimentel

Fonte: Agência Brasil

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

EDUCAÇÃO: Programa de renegociação de dívidas estudantis: adesão termina em 31 de agosto


O prazo para adesão ao Desenrola Fies 2026, programa que estabelece condições para renegociação de contratos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) , termina em 31 de agosto. A iniciativa é voltada para estudantes com contratos do Fies firmados até 2017 que estavam na fase de amortização em 4 de maio de 2026, contemplando contratos adimplentes e inadimplentes, segundo as condições previstas para cada perfil.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Acessibilidade é direito: entenda as barreiras que afetam o cotidiano das pessoas com deficiência

(Foto: Marcus Aurelius/Pexels/Reprodução).

A acessibilidade está relacionada às condições que permitem às pessoas utilizar, com segurança e autonomia, espaços, serviços, informações, meios de comunicação e diferentes atividades da vida cotidiana. Para as pessoas com deficiência, a ausência dessas condições pode representar obstáculos ao exercício de direitos básicos, como estudar, trabalhar, utilizar o transporte, acessar serviços públicos, receber informações e participar da vida social.

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