segunda-feira, 22 de junho de 2026

FILOSOFIA: Teorias sobre a Crença e a Natureza do Mito: Uma Análise Filosófica e Social (P152_P155)

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Descrição: Este vídeo explora as dimensões fundamentais da crença, do mito e das suas influências na experiência humana. O vídeo define a crença como uma adesão que ultrapassa a religião, manifestando-se na confiança interpessoal, na ciência e até no fervor por esportes. A análise do mito destaca-o não como uma falsidade, mas como uma narrativa simbólica essencial para organizar a realidade e preservar tradições culturais. Exemplos que variam de lendas iorubás a figuras públicas modernas ilustram como esses elementos moldam a identidade coletiva. Por fim, a obra reflete sobre a permanência de arquétipos e rituais na sociedade contemporânea, reforçando que o pensamento mítico continua a oferecer conforto e sentido diante do desconhecido.

Referência: ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Moderna Plus Filosofia. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2024. p. 152 - 155.

  • Vídeo gerado através da IA NotebookLM

TEXTO

Teorias sobre a Crença e a Natureza do Mito: Uma Análise Filosófica e Social


Este documento sintetiza as investigações filosóficas acerca da crença e do mito, fundamentadas nos textos de análise da realidade humana. A crença é apresentada não apenas como um fenômeno religioso, mas como um elemento intrínseco à cognição humana, manifestando-se no senso comum, na moral e até na ciência. O mito, por sua vez, é identificado como a forma mais remota de crença, exercendo a função vital de organizar a realidade, afugentar a angústia diante do desconhecido e preservar tradições culturais. A análise demonstra que, longe de ser superado pelo pensamento científico, o mito persiste na contemporaneidade através de arquétipos, da mitificação de figuras públicas e de rituais seculares.

1. A Natureza da Crença

A crença é um fenômeno complexo que ultrapassa os limites da religiosidade, fundamentando-se na adesão a proposições consideradas verdadeiras por meio de uma disposição psicológica de aceitação e confiança.

  • Etimologia e Fé: O termo "fé" deriva do latim fides, compartilhando a raiz com "fiel" e "fidelidade". Pressupõe uma relação de confiança que pode ser aplicada tanto a divindades quanto a amigos, valores ou profissionais (como a confiança cega em um médico e sua prescrição).
  • Amplitude da Crença: A crença não é exclusiva da religião. Ela se manifesta em diversos graus:
    • Senso Comum: Opiniões que auxiliam na atuação cotidiana.
    • Vida Moral: Crenças submetidas a reavaliações para guiar a conduta.
    • Ciência: Dependência de hipóteses científicas que, embora rigorosas, partem de premissas de aceitação.
  • A "Má-fé": Definida como uma forma de hipocrisia, onde se utiliza a aparência de um sentimento real para enganar o próximo.

2. O Fenômeno do Mito: Origem e Função

O mito é a forma mais remota de crença, caracterizando-se por narrativas que predominavam em sociedades tradicionais e que buscavam compreender todas as esferas da realidade através do sagrado.

Funções Psicológicas e Sociais do Mito

  • Acomodação do Ser Humano: O mito não visa primordialmente explicar a realidade de forma racional, mas sim tranquilizar o indivíduo em um mundo assustador, afugentando a insegurança e o medo da morte.
  • Verdade Intuitiva: A "verdade" do mito não reside na experimentação científica, mas na intuição compreensiva, na emoção e na afetividade. Ele expressa desejos, temores e a atração/afastamento das pessoas em relação às coisas.
  • Dimensão do Mistério: Opera como um enigma a ser decifrado diante das forças sobrenaturais, oferecendo um sentido para o que ultrapassa as leis da natureza.

3. Mito e Tradições Culturais

As tradições utilizam o mito como ferramenta de manutenção de costumes e explicação de realidades complexas através de metáforas.

  • Exemplo Iorubá: O mito do Rio Níger, que teria nascido da paixão de Oiá por Xangô, ilustra como elementos geográficos ganham caráter sagrado e explicam a história e a identidade de um povo.
  • Registros Rupestres e Rituais: Desde a pré-história, pinturas em cavernas e danças ritualísticas (como o Quarup dos povos do Alto Xingu) possuem caráter mágico, visando garantir o sucesso de caçadas, colheitas ou marcar mudanças sociais.
  • Perspectiva de Edgar Morin: O filósofo aponta que os mitos não tratam apenas da cosmogênese (origem do mundo), mas de tudo o que tange à identidade, ao passado, ao futuro e às aspirações humanas, ligando o mundo real ao imaginário.
  • O Futuro é Ancestral: A filósofa Katiúscia Ribeiro enfatiza a centralidade dos mitos nas culturas africanas, desconstruindo a associação entre mito e mentira, e destacando sua contribuição para a organização da vida contemporânea.

4. A Persistência do Mito na Modernidade

Contrariando a visão positivista de Auguste Comte — que previa a superação do mito pelo estágio científico —, o pensamento mítico permanece vivo na inteligibilidade humana.

Manifestações Contemporâneas

  • Crença na Ciência: Ironicamente, o positivismo gerou uma "crença cega" na ciência como única forma de saber, o que em si é uma redução extrema do conhecimento.
  • Valores Arquetípicos: Conceitos como "lar", "amor", "mãe" e "liberdade" remetem a modelos universais (arquétipos) presentes na natureza inconsciente coletiva.
  • Mitificação de Personalidades: Artistas, políticos e esportistas são transformados em imagens exemplares que representam anseios de sucesso, poder e liderança. Exemplos citados incluem Che Guevara, Princesa Diana, Pelé, Marta, Simone Biles e Rebeca Andrade.
  • Rituais Secularizados: Comemorações de ano-novo, festas de formatura, casamentos e até a paixão pelo futebol e o Carnaval carregam componentes míticos e ritualísticos.

5. O Lado Sombrio do Mito

O documento alerta que o mito também possui uma dimensão perigosa, especialmente quando utilizado para fins políticos totalitários.

  • Mitos de Exclusão: O governo de Hitler alimentou o mito ariano da "raça pura", o que justificou perseguições e culminou no genocídio de judeus, ciganos e homossexuais. Isso demonstra como a força do mito, sob o signo da morte, pode ser instrumentalizada para a barbárie.

Tabela: Diferenças de Abordagem da Realidade


Abordagem

Fundamento

Objetivo Principal

Mito

Intuição, emoção e metáfora.

Acomodar e tranquilizar o ser humano diante do desconhecido.

Ciência

Experimentação e comprovação racional.

Explicar a realidade através de leis e hipóteses rigorosas.

Religião

Fé e reconhecimento do sobrenatural.

Estabelecer uma relação com o sagrado e o mistério.

Senso Comum

Opiniões e crenças cotidianas.

Orientar a atuação prática no dia a dia.


Referência: ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Moderna Plus Filosofia. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2024. p. 152 - 155.

Vídeo e Texto gerado através da IA NotebookLM

Por Fábio Fernandes

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