Descrição: Este vídeo explora as dimensões fundamentais da crença, do mito e das suas influências na experiência humana. O vídeo define a crença como uma adesão que ultrapassa a religião, manifestando-se na confiança interpessoal, na ciência e até no fervor por esportes. A análise do mito destaca-o não como uma falsidade, mas como uma narrativa simbólica essencial para organizar a realidade e preservar tradições culturais. Exemplos que variam de lendas iorubás a figuras públicas modernas ilustram como esses elementos moldam a identidade coletiva. Por fim, a obra reflete sobre a permanência de arquétipos e rituais na sociedade contemporânea, reforçando que o pensamento mítico continua a oferecer conforto e sentido diante do desconhecido.
Referência: ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Moderna Plus Filosofia. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2024. p. 152 - 155.
- Vídeo gerado através da IA NotebookLM
TEXTO
Teorias sobre a Crença e a Natureza do Mito: Uma Análise Filosófica e Social
1. A Natureza da Crença
A crença é um fenômeno complexo
que ultrapassa os limites da religiosidade, fundamentando-se na adesão a
proposições consideradas verdadeiras por meio de uma disposição psicológica de
aceitação e confiança.
- Etimologia e Fé: O termo "fé"
deriva do latim fides, compartilhando a raiz com
"fiel" e "fidelidade". Pressupõe uma relação de
confiança que pode ser aplicada tanto a divindades quanto a amigos,
valores ou profissionais (como a confiança cega em um médico e sua
prescrição).
- Amplitude da Crença: A crença não é
exclusiva da religião. Ela se manifesta em diversos graus:
- Senso Comum: Opiniões que auxiliam na
atuação cotidiana.
- Vida Moral: Crenças submetidas a
reavaliações para guiar a conduta.
- Ciência: Dependência de hipóteses
científicas que, embora rigorosas, partem de premissas de aceitação.
- A "Má-fé": Definida como uma
forma de hipocrisia, onde se utiliza a aparência de um sentimento real
para enganar o próximo.
2. O Fenômeno do Mito: Origem
e Função
O mito é a forma mais remota de
crença, caracterizando-se por narrativas que predominavam em sociedades
tradicionais e que buscavam compreender todas as esferas da realidade através
do sagrado.
Funções Psicológicas e Sociais
do Mito
- Acomodação do Ser Humano: O mito não
visa primordialmente explicar a realidade de forma racional, mas sim
tranquilizar o indivíduo em um mundo assustador, afugentando a insegurança
e o medo da morte.
- Verdade Intuitiva: A
"verdade" do mito não reside na experimentação científica, mas
na intuição compreensiva, na emoção e na afetividade. Ele expressa
desejos, temores e a atração/afastamento das pessoas em relação às coisas.
- Dimensão do Mistério: Opera como um enigma
a ser decifrado diante das forças sobrenaturais, oferecendo um sentido
para o que ultrapassa as leis da natureza.
3. Mito e Tradições Culturais
As tradições utilizam o mito como
ferramenta de manutenção de costumes e explicação de realidades complexas através
de metáforas.
- Exemplo Iorubá: O mito do Rio Níger,
que teria nascido da paixão de Oiá por Xangô, ilustra como elementos
geográficos ganham caráter sagrado e explicam a história e a identidade de
um povo.
- Registros Rupestres e Rituais: Desde a
pré-história, pinturas em cavernas e danças ritualísticas (como o Quarup
dos povos do Alto Xingu) possuem caráter mágico, visando garantir o
sucesso de caçadas, colheitas ou marcar mudanças sociais.
- Perspectiva de Edgar Morin: O filósofo
aponta que os mitos não tratam apenas da cosmogênese (origem do mundo),
mas de tudo o que tange à identidade, ao passado, ao futuro e às
aspirações humanas, ligando o mundo real ao imaginário.
- O Futuro é Ancestral: A filósofa
Katiúscia Ribeiro enfatiza a centralidade dos mitos nas culturas
africanas, desconstruindo a associação entre mito e mentira, e destacando
sua contribuição para a organização da vida contemporânea.
4. A Persistência do Mito na
Modernidade
Contrariando a visão positivista
de Auguste Comte — que previa a superação do mito pelo estágio científico —, o
pensamento mítico permanece vivo na inteligibilidade humana.
Manifestações Contemporâneas
- Crença na Ciência: Ironicamente, o
positivismo gerou uma "crença cega" na ciência como única forma
de saber, o que em si é uma redução extrema do conhecimento.
- Valores Arquetípicos: Conceitos como
"lar", "amor", "mãe" e "liberdade"
remetem a modelos universais (arquétipos) presentes na natureza
inconsciente coletiva.
- Mitificação de Personalidades: Artistas,
políticos e esportistas são transformados em imagens exemplares que
representam anseios de sucesso, poder e liderança. Exemplos citados
incluem Che Guevara, Princesa Diana, Pelé, Marta, Simone Biles e Rebeca
Andrade.
- Rituais Secularizados: Comemorações de
ano-novo, festas de formatura, casamentos e até a paixão pelo futebol e o
Carnaval carregam componentes míticos e ritualísticos.
5. O Lado Sombrio do Mito
O documento alerta que o mito
também possui uma dimensão perigosa, especialmente quando utilizado para fins
políticos totalitários.
- Mitos de Exclusão: O governo de Hitler
alimentou o mito ariano da "raça pura", o que justificou
perseguições e culminou no genocídio de judeus, ciganos e homossexuais.
Isso demonstra como a força do mito, sob o signo da morte, pode ser
instrumentalizada para a barbárie.
Tabela: Diferenças de Abordagem da Realidade
|
Abordagem |
Fundamento |
Objetivo
Principal |
|
Mito |
Intuição, emoção e
metáfora. |
Acomodar e
tranquilizar o ser humano diante do desconhecido. |
|
Ciência |
Experimentação e comprovação
racional. |
Explicar a
realidade através de leis e hipóteses rigorosas. |
|
Religião |
Fé e reconhecimento
do sobrenatural. |
Estabelecer uma
relação com o sagrado e o mistério. |
|
Senso Comum |
Opiniões e crenças
cotidianas. |
Orientar a atuação
prática no dia a dia. |
Referência: ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Moderna Plus Filosofia. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2024. p. 152 - 155.
* Vídeo e Texto gerado através da IA NotebookLM
Por Fábio Fernandes










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